Histórico

                            

Recordo que quando criança me encantava com os mistérios da roça, das brincadeiras populares, dos causos de medo, folia de reis e tantas outras manifestações folclóricas. Foram estes os momentos vivenciados intensamente em Dracena, cidade do interior de São Paulo, onde passei boa parte da minha infância.
Este universo cheio fascinante foi aos poucos povoando a minha memória, e tenho aqui comigo, a certeza que até hoje, todos estes momentos estão presentes na minha profissão de contador de histórias.

Tudo começou a partir de 1987, antes de ser um contador de histórias, iniciei  na carreira de ator de teatro, com formação pela CPC/Umes/SP. A minha atuação em vários espetáculos me proporcionou entre outros benefícios, o de conhecer algumas capitais, com seus contrastes culturais, típicos de cada região. Essas viagens fizeram-me despertar, ainda mais, o interesse em pesquisar a cultura popular brasileira.

Foi em 1991, durante as viagens que fizemos com o Espetáculo de Teatro de Bonecos “E Agora Ioiô?” realizada pelo Vale do Jequitinhonha e nordeste, que se teve início essa pesquisa. Foram meses de convívio com os poetas, repentistas, contadores de causos e grupos folclóricos. Comecei a estudar especificamente as bibliografias relacionadas ao folclore, daí a importância dos livros como o de Câmara Cascudo, Silvio Romero, Veríssimo de Melo, entre outros.

O Universo dos contos tradicionais, do folclore infantil, o teatro de bonecos e tantas outras motivações, fizeram-me idealizar e fundar, no ano 2000, a Cia Mapinguary, nome mais do que propício para uma Cia de Contação de Histórias.
No início a minha contação de histórias, foi sendo apresentada tradicionalmente, ou seja, uma simples narrativa; o que ainda hoje em muitos casos permanecem.

Tempos depois, fui agregando elementos do Teatro de Animação e ainda bebendo da fonte do Cancioneiro e do Folclore Infantil. Aprofundando nos estudos do enredo e da estrutura narrativa das histórias fui encontrando a melhor forma de narrá-las e criou-se assim, “O Universo Brincante do Contador de Histórias”, onde além de contar, canto, danço e brinco junto com o público. Esses recursos além de encantar a plateia, faz uma ponte entre as histórias, fundindo a figura do Narrador com a do Brincante. A música ao vivo é outro recurso sempre presente nas minhas apresentações, servindo como complementação lúdica das histórias.

Nos últimos anos, já trabalhando profissionalmente na área, desenvolvemos várias técnicas oferecidas em oficinas, cursos, workshops e  espetáculos.
Não posso deixar de destacar aqui, eventos que a Cia se fez presente como convidada, são eles: III Festival A Arte de Contar Histórias/SP; Encontro Nacional de Contadores de Histórias em Santa Bárbara do Leste; O Causo é Sério - Sorocaba - Encontro Nacional de Contadores de Histórias-Cuiabá/MT/2012; V Festival de Contadores de Histórias-Porto Alegre/RS/2012.

Hoje a Cia Mapinguary já é reconhecida nacionalmente e temos planos de participar de encontros em outros paises, para isso estamos divulgando e aprimorando a cada dia essa arte milenar, contar histórias.


Carlos Godoy